Sanção dos EUA contra Irã ameaça exportações de MS

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Se o governo de Donald Trump cumprir as ameaças e impuser sanções a países, bancos e empresas que mantenham relações comerciais com o Irã, a economia de Mato Grosso do Sul, que até aqui havia escapado praticamente ilesa dos tarifaços impostos pelos Estados Unidos ao Brasil, tende a sofrer sérios danos, já que em julho o Irã foi sexto maior parceiro comercial do Estado, ficando à frente de países como Argentina e Chile, por exemplo.

E, se forem computados os dados relativos aos sete primeiros meses do ano, conforme o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, o país persa aparece na lista dos dez principais parceiros comerciais do Estado, com US$ 131,1 milhões, o equivalente a cerca de R$ 680 milhões. Somente em julho as vendas para os iranianos somaram em torno de R$ 190 milhões.

Embora longe atrás da importância da China, que responde por 49,2% das exportações de Mato Grosso do Sul, o Irã comprou o equivalente a 1,8% de tudo aquilo que o Estado exportou nos primeiros sete meses deste ano. Neste mesmo período, os Estados Unidos, compraram 6,3% daquilo que o Estado vendeu, o equivalente a US$ 454 milhões.

E a importância do Irã, que importou principalmente milho, está em frança expansão, com crescimento de quase 98% na comparação com igual período de 2025. Dentre os dez principais parceiros comerciais de MS, o Irã foi o que teve o maior crescimento percentual em 2026. No ano passado inteiro as importações dos iranianos somaram US$ 171,1 milhões e já foram 88% maiores que no ano anterior.

Em 2025, quando o Irã representou 1,6% das vendas externas do Estado, as maiores vendas ocorreram nos últimos meses do ano e são estas que agora podem ser prejudicadas se o Governo brasileiro acatar as determinações dos Estados Unidos. 

As ameaças norte-americananas são uma tentativa de ampliar o isolamento financeiro do Irã e acelerar o fim da guerra que já se aproxima de seis meses. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que Washington está entrando em contato com governos de diferentes países para apresentar exigências específicas de redução ou encerramento dos vínculos econômicos com o Irã. 

Segundo ele, os parceiros comerciais de Teerã receberão um prazo para se adequar. Quem não cumprir poderá ser alvo de punições unilaterais dos Estados Unidos.

Correio do Estado