
O mercado pecuário de Mato Grosso do Sul atravessa uma fase de valorização dos animais de reposição, em um movimento provocado principalmente pelo ciclo pecuário e pela menor disponibilidade de bezerros.
Os preços acumulam altas expressivas nos últimos 12 meses, chegando a 40% em determinadas categorias e regiões, enquanto a oferta mais ajustada coloca o Pantanal em posição estratégica na produção de animais para reposição do rebanho.
Conforme cotações do Sistema de Inteligência e Gestão Territorial da Bovinocultura de Corte de Mato Grosso do Sul (Sigabov), em julho de 2025 o preço da arroba do bezerro estava em R$ 395,10.
A cotação avançou ao longo dos meses e atingiu o pico de R$ 543,60 em março deste ano. Em julho, última referência disponível, estava em R$ 464,40.
A Famasul confirma a valorização “O cenário de bezerros em Mato Grosso do Sul é de valorização. O preço do quilo do bezerro acumulou alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a bezerra valorizou 19%. As demais categorias de reposição também apresentam alta nos últimos 12 meses”, informou a entidade ao Correio do Estado.
O encarecimento da reposição também aparece na relação de troca. “Em julho, um boi gordo comprava, em média, 1,77 bezerro, contra 1,89 em julho de 2025, uma redução de 6,6% no poder de compra”, apontou a Famasul.
Segundo a entidade, a explicação está principalmente no ciclo pecuário.
“Nos últimos anos, tivemos um volume elevado de abate de fêmeas, o que reduziu a quantidade de matrizes disponíveis para reprodução e, consequentemente, afetou a oferta de bezerros. Esse efeito começa a aparecer agora com mais força no mercado de reposição”.
Apesar da pressão sobre a reposição, os dados mais recentes mostram redução no ritmo dos abates. Nos sete primeiros meses deste ano, Mato Grosso do Sul abateu 2,37 milhões de cabeças, 4,9% menos que no mesmo período de 2025. A participação de fêmeas, porém, permaneceu próxima de 51%.
“Mesmo com a redução no volume abatido, o mercado segue com uma oferta mais ajustada de animais”, avaliou a Famasul.
Essa oferta mais restrita também ajuda a explicar a sustentação das cotações do boi gordo. “Em agosto, a arroba ficou acima de R$ 339,00, com alta de 10,6% em 12 meses”, destacou a entidade.
“Mesmo com a redução dos abates, os preços continuam firmes, em um cenário de oferta mais ajustada de animais para abate”, acrescentou.
PANTANAL
É nesse ambiente de menor oferta que o Pantanal ganha importância estratégica para a pecuária estadual.
A região responde por cerca de 40% dos bezerros produzidos em Mato Grosso do Sul, segundo o Sistema Novilho Precoce, formado pela Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce (ASPNP) e pela Cooperativa Novilhocoop.
A relevância da região aumenta diante da transformação de áreas tradicionalmente ligadas à cria. Municípios como Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas passaram por forte expansão da silvicultura, com o eucalipto ocupando áreas anteriormente destinadas à pecuária.
Nas cotações de animais de reposição acompanhadas pelo Sigabov a partir de 12 empresas de leilões, a região Sul apresentou o maior valor para o bezerro, com R$ 3.723,54. Na sequência aparece o Pantanal, com R$ 3.209,74, abrangendo municípios como Corumbá, Ladário, Aquidauana, Porto Murtinho e Miranda.
Correio do Estado

