
Mato Grosso do Sul caminha para colher a maior safra de milho de sua história, que já deixou de ser considerada “safrinha” há bastante tempo. A produção da segunda safra 2025/2026 está estimada em 16,254 milhões de toneladas, conforme levantamento do Projeto Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Siga-MS), executado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS).
Caso confirmada, a produção será 14,3% maior que o recorde anterior, de 14,226 milhões de toneladas, alcançado justamente na safra passada. O novo resultado também ficará 14,3% acima da marca de 14,220 milhões de toneladas registrada em 2022/2023.
O desempenho representa uma virada significativa em relação a ciclos de menor produtividade. Em 2017/2018, por exemplo, o Estado produziu 7,838 milhões de toneladas. Desde então, apesar das oscilações provocadas principalmente pelas condições climáticas, a produção avançou e atingiu novo patamar.
Até o dia 4 deste mês, a colheita já havia alcançado 94,9% da área acompanhada em MS. Isso corresponde a aproximadamente 2,09 milhões de hectares dos 2,206 milhões de hectares estimados para o cultivo.
O avanço, porém, ocorre em ritmos diferentes entre as regiões produtoras. No norte, 99,7% da área já havia sido colhida, enquanto no sul o porcentual chegava a 94,5% e, na região central, a 93,8%.
A estimativa de produção ainda é preliminar e poderá sofrer ajustes à medida que o levantamento de produtividade avançar. Até o momento, foram realizadas 354 avaliações, correspondentes a aproximadamente 18% da área cultivada.
A metodologia prevê a ampliação da amostragem e a consolidação da produtividade após a conclusão do estudo de uso e ocupação do solo.
Fonte: Sistema de informação do Agronegócio (Siga-MS)
PRODUTIVIDADE
Um dos principais fatores que explicam a projeção recorde é o desempenho das lavouras já avaliadas. A produtividade média observada representa uma revisão significativa em relação à estimativa inicial, de 84,16 sacas por hectare.
Nas áreas acompanhadas pelos técnicos da Aprosoja-MS, foram registrados resultados entre 40 sacas por hectare e 192 sacas por hectare, evidenciando a diferença de potencial entre os municípios e propriedades.
Entre os maiores rendimentos estão Três Lagoas, com 174,3 sacas por hectare; Alcinópolis, com 167,8 sacas por hectare; Camapuã, com 165,3 sacas por hectare; e Rio Negro, com 162 sacas por hectare.
Para o analista técnico da Aprosoja-MS, Lucas Santana, os resultados mostram que parte expressiva das lavouras conseguiu aproveitar o potencial produtivo.
“Os resultados observados até o momento mostram que uma parcela significativa das lavouras conseguiu expressar um bom potencial produtivo. O acompanhamento de campo tem identificado áreas com elevado rendimento, resultado de um conjunto de fatores que envolve o estabelecimento adequado da cultura, o manejo realizado ao longo do ciclo e as condições climáticas encontradas nas diferentes regiões”.
CLIMA
Apesar do cenário positivo, os técnicos mantêm atenção sobre as áreas que ainda permanecem no campo. A ocorrência de ventos fortes pode provocar acamamento e quebramento das plantas, dificultando a colheita e elevando o risco de perdas.
“Nas áreas que ainda estão em campo, o produtor precisa manter atenção principalmente às condições climáticas e ao ponto de colheita. O risco de vendavais exige cuidado, porque pode provocar acamamento e quebramento de plantas, dificultando a operação e podendo gerar perdas. Por isso, o acompanhamento da lavoura até a retirada do milho é fundamental”, orienta Santana.
Na primeira semana de setembro, foram registrados volumes de chuva entre 5 milímetros e 55 mm em diferentes regiões do Estado. As precipitações ajudaram a manter a umidade do solo e também contribuíram para o avanço da preparação das propriedades para o próximo ciclo.
Correio do Estado
