Estado triplicou a importação de fertilizantes em cinco anos

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N-verde possui maior concentração de nitrogênio e é de fácil aplicação. (Foto: Ana Lucia Ferreira).

Em cinco anos, a quantidade de fertilizantes importados por Mato Grosso do Sul aumentou 224%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia.  

Em análise realizada pelo Correio do Estado com base nos dados disponibilizados pela secretaria, MS saltou de uma importação de 79.644 toneladas de adubos ou fertilizantes químicos (exceto fertilizantes brutos) em 2018 para 258.159 toneladas em 2022.  

O recorte utilizado compreendeu os três primeiros meses de cada ano. O valor usado para a aquisição desses insumos essenciais para garantir a produtividade das lavouras de milho, soja, algodão, capim e as principais culturas do Estado cresceu mais de seis vezes no período. 

Segundo os dados, importadores desses compostos passaram a gastar 594% a mais em cinco anos.  

Em 2018, foram importados US$ 21,04 milhões em insumos, contra US$ 146,4 milhões em 2022. A inflação de tais produtos superou bastante a alta acumulada para o período no Brasil.  

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 28,46% de janeiro daquele ano até o fim de março de 2022.  

O grande salto apresentado nesta série histórica se deu entre os anos 2018 e 2019, e entre os anos de 2021 e 2022. No primeiro período, o custo importado mais que dobrou, apresentando alta de 130,61%, já a quantidade importada seguiu de perto, com alta de 93,45%.  

Do último ano para este, a quantidade importada apresentou queda de 5,15%, saindo de 272.170 toneladas importadas em 2021 para 258.159 toneladas neste ano.  

Entretanto, os preços subiram consideravelmente, de US$ 69,092 milhões para US$ 146,4 milhões, alta de 111,88%.  

Produtores rurais apontam que a alta para entrega na lavoura ultrapassa 160% em um ano. “Temos uma situação bem complicada, alguns insumos subiram mais de 300% em um ano”, afirma Vilson Brusamarello, ex-presidente do Sindicato Rural de São Gabriel do Oeste.  

Presidente da Associação de Produtores de Milho e Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), André Dobashi relata que o agricultor deve ficar atento às oportunidades que o mercado oferece. Segundo ele, na safra 2019/2020, MS teve a oferta mais barata de fertilizantes fosfatados da história do Estado.  

“Eu conheço vários produtores que compraram fósforo para três safras, imagina a lucratividade desse cara, ele passou por todo esse aumento colocando fertilizantes baratos na plantação”, diz.  

DECISÕES  

O presidente da Aprosoja-MS afirma ainda que o produtor tem de fazer uma escolha, caso o preço dos fertilizantes pese demais no bolso. “Para ele, é complicado pensar em uma produção sem uso de adubos, porque eles estão ligados diretamente à produtividade da área plantada”.  

“São duas estratégias básicas, fazer aporte de fertilizantes e usar o que tem consolidado na terra, usar isso é complicado porque você diminui uma reserva prontamente disponível para a planta e você não poderá usar isso em um futuro próximo”, considera Dobashi.  

Dobashi acredita que nesse momento o produtor tem de tomar decisões técnicas baseadas na cobertura das melhores práticas disponíveis. Deixar de utilizar o adubo neste momento seria como trocar a produtividade de agora por uma menor no futuro.  

“Usar o adubo não garante que quando ele estiver barato a produtividade será a mesma na frente. Imagine que você tem uma piscina cheia de água, tirar a água é fácil, colocar que é difícil. Usar a poupança que ele criou na terra ao longo de dez ou vinte anos não significa que quando estiver barato será fácil encher essa piscina”, pondera.  

ALTERNATIVAS

Consultor e engenheiro agrônomo em Campo Grande, Mateus Arantes afirma que há técnicas que podem ajudar a mitigar o uso de fertilizantes nas lavouras, como o uso do pó de rocha, integração com outras culturas, rotação de área plantada e até dar um descanso para a terra em alguns períodos.  

Porém, não são todos que usam e acabam se tornando reféns dos produtos químicos.  

“Muitos não fazem porque é uma quebra de paradigma. Soja e milho safrinha acabam se tornado um mantra na cabeça de alguns produtores, e eles se sentem desconfortáveis em mudar o planejamento do plantio”, considera.  

Arantes diz que com boa cobertura técnica, bom conhecimento do perfil geotécnico do solo e com as devidas tecnologias em mãos é possível fazer economia de até 30% no uso de fertilizantes.

Já André Dobashi aconselha: “faça um diagnóstico da sua lavoura e veja até quando você pode economizar sem comprometer a produtividade”.  

Outra alternativa é a chamada agricultura de precisão, que evita a aplicação de insumos na mesma quantidade em toda a propriedade, mapeando e avaliando as condições do solo para que o produtor saiba onde usar os produtos de forma mais eficiente.

Renato Borges, da Agrointeli, startup de Mato Grosso do Sul especializada em agricultura de precisão, disse à Folha de São Paulo que o uso intensivo de fertilizantes acarreta em prejuízo econômico, aumentando os gastos na produção.

“A agricultura de precisão considera a heterogeneidade do solo, fazendo a aplicação em quantidade mais correta, conforme a necessidade de cada parte do terreno. A prática acaba se convertendo em ganho econômico para o agricultor, ele gasta menos dinheiro com esses produtos e tem uma redução de custos no produto final”.