Estado dobra investimentos em bioinsumos em um ano

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no print
Print
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Compartilhar no print

Levantamento da Spark Inteligência Estratégica feito a pedido do Correio do Estado mostra que o mercado de biodefensivos mais inoculantes em Mato Grosso do Sul teve alta de 106% no período de um ano. Os valores comercializados saltaram de R$ 103 milhões, na safra 2019/2020, para R$ 212 milhões, na safra 2020/2021.  

Desse volume, foram aplicados 60% na cultura de soja, 25% na de cana-de-açúcar e 13% no milho safrinha. Em MS, 26% da área das lavouras de soja foram tratados com biodefensivos, frente a 13% no ano anterior. No Brasil, esse número ficou em 21% no fim do último ciclo.  

A crise dos fertilizantes, iniciada com a invasão russa à Ucrânia, acelerou uma tendência crescente na agricultura mundial e foi o impulso necessário para o agronegócio de Mato Grosso do Sul se adaptar.  

Conforme revelou o vice-presidente comercial no Brasil da startup americana Indigo, Renato Magni, a empresa espera um crescimento exponencial no mercado de bioinsumos.  

“Crescemos 12 vezes em faturamento desde 2019, ano em que chegamos em MS. Para 2022, projetamos duplicar esses números, assim como no próximo ano”. Ainda segundo a empresa, a projeção segue em linha com os dados levantados para toda a região.  

“Na América Latina, onde a empresa também está presente na Argentina, ultrapassamos em 74% a meta de hectares estipulada para o ano. Para 2022, o plano é crescer mais – ao menos 100%. Para Mato Grosso do Sul, a perspectiva é a mesma”.  

De acordo com um estudo do IHS Markit, braço da Standard & Poor’s Global, o mercado de bioinsumos no mundo deve crescer quase três vezes e atingir a cifra de US$ 11 bilhões até 2025.  

Segundo um levantamento da Croplife Brasil junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), até o começo de junho deste ano haviam sido aprovados 484 produtos, dos quais 64% são com micro-organismos, 17% macro-organismos, 8% semioquímicos e 11% bioquímicos.

Os anos de 2020 e 2021 foram os principais na regularização desses bioinsumos; foram 95 e 81 registros, respectivamente. Em 2022, foram aprovados seis novos produtos.

SUSTENTÁVEL  

Esses bioinsumos consistem em produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana destinados à produção. Eles fazem as vezes de defensivos agrícolas, no combate a pragas e doenças, ou de fertilizantes, povoando o solo com organismos enriquecedores.  

“As bactérias fazem o papel dos químicos. Eu gosto de fazer o paralelo com os probióticos. Temos produtos que tornam as plantas mais resistentes à seca, promovem um crescimento maior da raiz em situação de estresse hídrico. Então, micro-organismos e fungos atuam em sinergia para que as plantas tenham melhor acesso aos nutrientes na terra”, explicou Magni.  

Consultor e coordenador do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (Gaas), Rogério Zart afirmou que “temos condições de ver uma composição mais sustentável na agricultura, o que nos deixa menos reféns das grandes empresas e dos adubos químicos”.  

A dependência mencionada pelo consultor se tornou muito forte nos últimos cinco anos. Conforme noticiado pelo Correio do Estado na edição de 24 de abril, o País quase triplicou a importação de insumos químicos na comparação do primeiro trimestre de 2018 com 2022.  

De acordo com pesquisa de mercado feita pelo Correio do Estado, o preço da tonelada para o produtor tem variação de cerca de R$ 890 de um produto para o outro.  

Um biofertilizante de origem orgânica custa R$ 6.060 por tonelada, e o fertilizante de produção química custa R$ 6.950 a tonelada, ou seja, o produto orgânico é 14,60% mais barato.

TECNOLOGIA

A deputada federal e ex-ministra do Mapa Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias ressaltou a importância da aplicação da tecnologia para o desenvolvimento do agronegócio em MS durante painel do Interagro 2022.  

“Hoje, nós temos o setor de bioinsumos, os biofertilizantes, os remineralizadores, nanotecnologia e uma série de novas tecnologias que já haviam sido estudadas e que agora vão andar mais rápido. Agora é analisar os melhores preços, o que é mais competitivo, e vamos ter um menu de alternativas para nossa agricultura”, pontuou.  

Ex-secretário de governo de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, que participou do painel, destacou o potencial técnico e econômico do País, cada vez mais alinhado com a adoção de inovações e novas tecnologias.

“Nós formamos, nos últimos 30 anos, uma competitividade muito grande em várias cadeias de produção, pecuária de corte, agricultura, cana e leite, mas o dado relevante dessa informação é que 68% dessa influência, do aumento da nossa produtividade, do aumento da nossa capacidade de produção, vêm da tecnologia, não vêm da disponibilidade do solo e não vêm da mão de obra”.

No começo deste mês, o governo do Estado enviou à Assembleia Legislativa (Alems) o Projeto de Lei 161/2022, que pretende instituir em Mato Grosso do Sul o Programa Estadual de Bioinsumos.  

De acordo com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), os bioinsumos interferem positivamente no desenvolvimento da agricultura de MS.  

“O Brasil vem sendo um dos mais competitivos e promissores mercados agrícolas do mundo, e avanços tecnológicos têm transformado os sistemas produtivos, aliados à preservação ambiental. Essa crescente demanda por sustentabilidade tem impulsionado o setor a desenvolver práticas capazes de solucionar ou amenizar as adversidades”, explicou Azambuja.