Crise hídrica acende alerta para risco de racionamento de energia em MS

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Além de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Paraná também estão em situação de risco

Após 20 anos do último racionamento de energia no Brasil, o assunto voltou a preocupar em razão da pior crise hidrológica do País nos últimos 91 anos. No entanto, o Ministério de Minas e Energia (MME) descarta a possibilidade. 

Na sexta-feira (28), o governo federal emitiu um alerta sobre a emergência hídrica em Mato Grosso do Sul e outros quatro estados brasileiros, entre junho e setembro.

“Não vai acontecer racionamento. Hoje, o Brasil tem diversas fontes de energia e não depende mais tanto da energia das hidrelétricas como antigamente. Graças ao monitoramento permanente do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico [CMSE] e às medidas adotadas pelo governo, a segurança energética do País está sendo preservada para este e os próximos anos”, explica o MME em resposta ao Correio do Estado.  

O assunto voltou à tona em virtude da pior crise hídrica do Brasil, entre setembro de 2020 e abril de 2021, que registrou o menor volume de água nos reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Neste período, conforme informações colhidas pelos órgãos vinculados ao Ministério de Minas e Energia, foi a “maior crise hidrológica dos últimos 91 anos”.

Conforme dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2019, 64,9% da matriz elétrica brasileira era hidráulica; no mundo, 16,2% eram.

ALERTA

Além de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Paraná também estão em situação de risco. O alerta da situação hídrica está associado à escassez de chuva para a bacia do Rio Paraná para o período de junho a setembro. Esse é o pior alerta em 111 anos de serviços meteorológicos no Brasil.

Mesmo com a crescente participação de outras fontes energéticas, como a eólica e a solar, o Brasil ainda é dependente das chuvas para a geração de energia. 

Ainda de acordo com o MME, diante deste cenário, desde outubro do ano passado, o CMSE iniciou o emprego maior de usinas termelétricas e também determinou a importação de energia da Argentina e Uruguai.

Com isso, o Ministério adotou medidas com os órgãos e as empresas do setor de gás natural, com o objetivo de assegurar que o Brasil tenha combustível para abastecer as termelétricas.  

“As medidas visam maximizar as gerações termelétricas e de outras fontes de energia, permitindo estocar mais água nas represas das hidrelétricas. Desta forma, o País terá mais segurança no setor elétrico, de forma que se possa chegar em novembro com reservatórios em condições de entrar no período chuvoso”, conclui.

Atualmente, a Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul (MSGás) possui contrato com a Petrobras, que é proprietária da termoelétrica UTE-LTG, em Três Lagoas. No entanto, a companhia informou que não há previsão de acionamento da termelétrica, cuja operação é controlada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

MATO GROSSO DO SUL

O racionamento não se trata de uma questão regional, mas a Energisa – distribuidora de energia elétrica em Mato Grosso do Sul – ressalta sua capacidade de atender à demanda do Estado.

“O nosso sistema de distribuição não tem gargalo algum. A Energisa tem total capacidade de atender à demanda de Mato Grosso do Sul. A Energisa é uma distribuidora de energia. Nosso papel é receber essa energia interligada e distribuir para a população. Então, o racionamento não é uma questão regional”, explica o gerente de Planejamento da Energisa, Antônio Matos.

Conforme informações da Energisa, no dia 7 de outubro do ano passado, foi registrada carga máxima da área de concessão, atingindo 1.188 MW.

USO RACIONAL

Para a presidente do Conselho de Consumidores da Área de Concessão da Energisa MS (Concen), Rosimeire Costa, o que preocupa atualmente não é o racionamento de energia, e sim o uso racional.

“O cenário que nós temos não é de racionamento. O cenário que a gente tem é de uso racional, não por falta de energia, mas sim para economizar e pelo valor que se pode pagar por quilowatt consumido”, destaca. A presidente do Concen adianta que, em virtude do baixo nível dos reservatórios, é possível que em junho tenhamos patamar 2 na conta de energia.