Com corte, setor da construção teme por empreendimentos já iniciados em MS

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O presidente Jair Bolsonaro vetou 98% dos recursos do orçamento de 2021 para o novo Minha Casa Minha Vida, hoje chamado de Casa Verde e Amarela. O corte preocupa o setor da Construção Civil de Mato Grosso do Sul. 

De acordo com o presidente da Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul, Diego Canzi, a redução de investimento pode impactar em obras que já foram iniciadas. 

“Estamos muito preocupados por não ter recursos para os imóveis que já estão sendo construídos. O ciclo da construção é mais longo, tem empreendimentos que levam um ano, seis meses, por exemplo, para ficarem prontos. Muitos empreendimentos que começaram no início do ano precisam de recursos para serem financiados”, explica o empresário. 

Inicialmente, o orçamento federal, previsto pelo Congresso, era de R$ 1,540 bilhões, e foi praticamente zerado. Com a redução de 98,2% o orçamento está agora em R$ 27 milhões.

O corte foi de R$ 1,5 bilhão nas despesas que estavam reservadas ao Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), que banca as obras do faixa 1 do programa habitacional, voltada às famílias de baixa renda, que ganham até R$1,8 mil. . 

Desse valor, R$ 1,37 bilhão era do Orçamento do próprio Executivo, e o restante de emendas parlamentares.

“Uma redução dessas impacta para a população de maneira geral, isso porque todos são potenciais compradores.Um programa que já beneficiou milhares de pessoas precisa ser continuado. Com certeza será iniciado uma campanha para que isso seja revisto”, deduz Canzi.

Mesmo diante a pandemia o setor conseguiu se manter diante a crise, mas a decisão do presidente pode prejudicar a categoria. 

“Aqui no Estado não tivemos grandes perdas no número de empregados, porque a construção ficou fechada apenas por duas semanas durante a pandemia, o que nos atrapalhou um pouco foi a falta de material, já que vem de São Paulo, por exemplo. Contudo, não tendo recursos para o financiamento, com certeza o impacto é negativo”, conclui o representante. 

CENÁRIO NACIONAL

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, classificou de “loucura” o corte total nas verbas para a continuidade das obras do programa habitacional do governo e disse que quem ordenou o veto “não tem noção do que está fazendo”.

Segundo ele, o veto coloca em risco 250 mil empregos diretos no setor da construção, uma vez que 250 mil unidades habitacionais estão com obras em andamento, e a estimativa é que cada uma gera um emprego direto e 2,5 indiretos.

“As empresas já estão ferradas, com preço fixo (recebido pela obra), aumento absurdo de insumos. Tem dúvida do que irão fazer?”, questionou.

Como revelou o Estadão/Broadcast mais cedo, o veto do presidente Jair Bolsonaro ao Orçamento de 2021 deixou praticamente zerada a verba para dar continuidade às obras da faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida, rebatizado pelo governo de Casa Verde e Amarela.

“Acho simplesmente uma loucura, vai paralisar obras, demitir pessoas, criar um problema seriíssimo que, para retomar, custará muito mais caro. Quem cortou não tem noção do que está fazendo. Inacreditável”, afirmou Martins.