Reajustado, Bolsa Família alcança 191 mil lares em MS

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A partir do próximo de hoje, os beneficiários do Bolsa Família começam a receber os pagamentos com o valor mínimo reajustado, que sobe de R$ 600 para R$ 691, um aumento de 15%. Quase 191 mil lares em Mato Grosso do Sul devem ser impactados pela elevação do subsídio.

Dados do MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome) revelam que o programa atendeu 190.938 famílias em Mato Grosso do Sul no último mês de setembro. Já o repasse total em MS somou R$ 132,5 milhões no último mês.

Além disso, o MDS reforça que a iniciativa funciona com um fluxo contínuo de entradas e saídas de beneficiários, conforme os procedimentos de gestão e a disponibilidade de recursos. A porta de entrada para o programa exige inscrição no CadÚnico (Cadastro Único) e renda familiar per capita de até R$ 218 mensais. Porém, estar cadastrado não garante o recebimento imediato do valor.

A gerente de Gestão do CadÚnico da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) de Campo Grande, Mayara Almeida da Silva Ferreira, explica que a inclusão depende de etapas que vão além do atendimento no município.

“É muito comum dizer que a inserção dos dados neste sistema é a porta de entrada para o Bolsa Família, mas a inscrição ou atualização cadastral, por si só, não gera a concessão automática do benefício”, alerta Mayara.

Cabe à gestão municipal acolher a população, realizar as entrevistas e manter as informações atualizadas na base de dados. Já o acompanhamento da concessão é de responsabilidade direta do Governo Federal. A seleção obedece à Portaria MDS nº 897/2023, que divide o processo entre habilitação, seleção e concessão. Por se tratar de um procedimento automatizado pelos sistemas federais, não existe um tempo determinado de espera.

No processo de seleção, o sistema prioriza famílias em situação de extrema vulnerabilidade social. Entram nessa fila prioritária lares com crianças em trabalho infantil, pessoas resgatadas de trabalho análogo à escravidão e quilombolas.

Também têm prioridade indígenas, catadores de recicláveis, pessoas em situação de rua, famílias acompanhadas pelo Prontuário SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e lares apontados pelo Ministério da Saúde em risco de insegurança alimentar.

Após a triagem, o sistema avalia a taxa de cobertura do programa no município. Em seguida, considera a presença de gestantes, crianças de até 7 anos, jovens até 18 anos incompletos e a menor renda per capita. A gestora ressalta que ter pessoas idosas, crianças ou com deficiência na família não assegura a entrada imediata.

“A família precisa primeiro atender aos critérios de elegibilidade e estar com o cadastro consistente e atualizado”, explica.

Para quem já está no programa e consegue ampliar a renda, vale a Regra de Proteção. Regulamentada pela Portaria MDS nº 1.084/2025, ela evita o cancelamento abrupto do benefício.

Quando a renda per capita da família ultrapassa R$ 218, mas se mantém no limite de até R$ 706 por pessoa, o domicílio pode permanecer no programa por até 18 meses, recebendo 50% do valor total.

Campo Grande News