
Alavancado pela agroindústria e por projetos industriais de maior valor agregado, Mato Grosso do Sul contratou R$ 9,7 bilhões em financiamentos no programa NIB (Nova Indústria Brasil) até o primeiro trimestre deste ano. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em recorte regional obtido pelo Campo Grande News.
O montante representa 15,2% dos R$ 64 bilhões liberados pelo Plano Mais Produção (P+P), principal instrumento financeiro da nova política industrial, para os estados do Centro-Oeste.
Desde o lançamento do programa, em 2024, os recursos financiaram cerca de 4 mil projetos voltados à inovação, sustentabilidade e fortalecimento da indústria de Mato Grosso do Sul. Em toda a região Centro-Oeste, o programa já beneficiou aproximadamente 27 mil projetos.
A meta do programa é mobilizar cerca de R$ 751,3 bilhões em crédito e financiamentos até o fim de 2026. Até agora foram aprovados R$ 356,8 bilhões para 241 mil projetos, segundo dados do sistema do BNDES.
Criada pelo governo federal em 2024 e coordenada pelo MDIC, a Nova Indústria Brasil pretende reverter o processo de desindustrialização do país por intermédio da modernização do parque produtivo, fortalecimento da capacidade tecnológica e aumento da competitividade da indústria nacional. Entre outros objetivos, a nova política industrial prevê potencializar as capacidades regionais a partir do financiamento ligado às missões estratégicas estabelecidas para cada região.
Em Mato Grosso do Sul, os financiamentos do programa estão concentrados em cinco missões estratégicas e apontam diversificação dos investimentos industriais. Apesar de concentração na agroindústria, refletindo o perfil econômico estadual, o crédito se estende a projetos inovadores e sustentáveis.
A Missão 1, voltada ao fortalecimento da agroindústria, respondeu por cerca de metade dos recursos contratados no Estado. Ao todo, foram R$ 4,9 bilhões destinados a 2.947 projetos.
Na sequência, aparece a Missão 3, voltada à infraestrutura, com R$ 1,9 bilhão distribuído entre 679 projetos. Também com R$ 1,9 bilhão, a Missão 5, direcionada à descarbonização e à bioeconomia, reúne somente 52 projetos, indicando operações de maior porte e maior volume de investimento por empreendimento.
Em patamar inferior, a Missão 4, destinada à transformação digital, soma R$ 596 milhões para 580 projetos. Já a Missão 2, voltada ao complexo industrial da saúde, contratou R$ 309,5 milhões em financiamentos para 22 projetos.
Novo olhar
Para a economista Renata Farias, coordenadora da Fiems Conecta, agência de desenvolvimento e fomento regional da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), a Nova Indústria Brasil ampliou o foco da política industrial ao incorporar setores que historicamente recebiam menos atenção, como a indústria da saúde e a farmacêutica.
“Não se trata apenas de incentivar tecnologias limpas e reduzir emissões pensando no meio ambiente, mas também de promover o bem-estar da população”, afirma.
Um exemplo, cita Renata, é a implementação da farmacêutica boliviana Laboratórios IFA S.A. em Terenos, também beneficiada por incentivos fiscais do governo estadual. O empreendimento prevê investimentos de R$ 45 milhões até 2030 e 120 empregos diretos na fase de operação.
Na avaliação da economista, não há mudança no perfil industrial de Mato Grosso do Sul, mas uma ampliação da forma de enxergar o desenvolvimento econômico.
Ela destaca ainda investimentos em biocombustíveis e bioeconomia, que buscam conciliar crescimento econômico, preservação ambiental e desenvolvimento humano.
Taxa média de juro
Com juro subsidiado, as operações são contratadas com taxa composta pela TR (taxa referencial) mais a taxa do BNDES, atualmente em torno de 1,35% ao ano, resultando em um custo final de 7% a 8% ao ano, dependendo da linha de financiamento. Essas condições são mais atrativas do que as taxas praticadas no mercado atreladas à taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano.
Os recursos são operacionalizados por instituições como BNDES, Finep, Caixa Econômica e Banco do Brasil, que disponibilizam diferentes instrumentos financeiros e programas de apoio, cada um com objetivos e públicos específicos.
O boletim Panorama Econômico da Fiems, atualizado em maio, projeta crescimento nominal médio de 8,7% ao ano para a indústria de Mato Grosso do Sul até 2029. Nesse período, o valor adicionado do setor deve alcançar R$ 63,9 bilhões. A expansão acompanha a expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto) estadual, que também deve crescer, em média, 8,7% ao ano, atingindo R$ 279,8 bilhões em 2029.
Campo Grande News

